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6º Jornal da Sala de Fotografia: entre Fronteiras, Laços e Pertencimento

Na Sala de Fotografia, acreditamos que cada imagem é mais do que um registro, é um gesto de escuta, um convite ao encontro, um atravessamento sensível entre o visível e o invisível. Fotografar, para nós, é habitar esse entre-lugar de que fala Gloria Anzaldúa: uma zona de fronteira onde culturas, afetos e subjetividades se cruzam, resistem e se reinventam. Há algo de profundamente humano em traçar limites, em nomear o mundo para tentar compreendê-lo. Mas será que toda fronteira precisa ser um fim? Ou pode ser, também, o início de algo novo, um espaço de travessia? A fotografia nos ensina que o limite não é só contorno, mas fresta: espaço onde se revelam o que pulsa entre tempos, gestos e silêncios. É ali que mora a potência do olhar.

Pertencer é mais do que ocupar um lugar: é ser reconhecido na inteireza do que se é. Nas oficinas, nas exposições, nas ruas por onde passamos, o pertencimento vibra nos olhos que brilham diante de uma lembrança reavivada, no gesto emocionado de quem se vê retratado com dignidade. Pertencer é lembrar que não estamos sós. Nossa participação no 12º Encontro da Plataforma de Territórios Criativos América–Europa reafirma esse compromisso com a escuta e a ação. Em tempos de discursos acelerados, defendemos o enraizamento, a escuta local e o respeito às trajetórias comunitárias. Fotografar esses encontros é iluminar o que resiste e provocar o que se repete. Imagens habitadas de sentido constroem cultura viva. No projeto de macramê, tecemos com a câmera o que os fios revelam: que entrelaçar mãos e histórias pode ser ato de cuidado e afirmação. Cada foto é empoderamento e memória: estética compartilhada, sensível e política. Transformar nós em laços é também transformar vidas em esperança. E no Startup Weekend de Caxias do Sul, com a temática da sustentabilidade, reafirmamos a crença de que é possível, sim, semear futuros. Em 54 horas de ideias e reinvenções, cada clique revela a força coletiva de quem ousa imaginar outro mundo. Este manifesto é, portanto, uma costura de tudo que somos: fronteira, pertencimento, criação. Somos fresta, espelho e escuta. Somos memória em movimento.

Por Liliane Giordano


 
 
 

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